Seja benvindo!

Estas postagens são reflexões que escrevo, mas jamais direi que são minhas, elas apenas chegam, passam por mim, e prosseguem, e nada absolutamente é meu, nada tem origem em mim, são como um rio que chega, refrigera e espera um dia desaguar no mar, todas suas fontes estão em mim, e eu só me deixo estar na correnteza deste rio, meu destino é o mar, e o mar para mim é uma ilustração da esfera de Deus, no livro do Apocalipse João descreveu um mar de vidro, semelhante ao cristal, isto é em relação a Deus.
Eu aguardo que você possa apreciar e desfruta-las, o meu desejo é que você possa ser abençoado ricamente, que possa perceber o fluir deste rio, e se um dia desejar, entre em contato comigo no e-mail adanspsobral@gmail.com.

Bom desfrute.


16 de fev. de 2007

A luz do primeiro dia

"Disse Deus: haja luz. E houve luz. Viu Deus que a luz era boa;e fez separação entre a luz e as trevas." - Gênesis 1:3,4
"Mas, ...aprouve a Deus, ...revelar seu Filho em mim,...não consultei carne e sangue." - Gálatas 1:15,15 seleção livre do autor

místico = divino, espiritual

Há uma íntima relação entre os dois versículos acima, pois tanto no fato de Deus haver dito: haja luz, quanto na experiência de Deus revelar seu Filho envolveu um elemento só, o iluminar. A revelação de Deus a alguém é algo independente de nossa cultura e saber. Ao dizer "não consultei carne e sangue", o autor expõe que sua experiência havia sido mística, isto é, de natureza divina e espiritual, carne e sangue é tudo o que é do homem, seja cultura, moral, filosofia ou ciência. Deus não precisa de nenhum desses elementos para se revelar a nós, a revelação de Cristo é algo puramente místico, nenhum conhecimento moral, filosófico ou cultural poderia nos produzir tal experiência. "Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Mateus 16:15-17".
Pedro é um modelo humano onde Deus pode revelar algo, Pedro era um simples pescador chamado por Jesus, o fato de Pedro não ter a cultura do saber o tornava espontâneo, era livre da rigidez do saber, "A ciência incha, mas o amor edifica." I Cor 8:1b, e o Pai encontrava em Pedro um ambiente propício para a revelação, o Pai podia lhe revelar algo. Pedro não tinha percepção da origem de suas reações,
portanto podia receber uma revelação do Pai em um dado momento:
"Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Mateus 16:17",
e no momento seguinte agir malignamente repreendendo a Jesus:
"E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens. Mateus 16:22,23",
podia expressar vigorosamente seu amor natural:
"Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes me negarás. Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os discípulos. Mateus 26:33-35",
e negar tal amor de maneira tão enfática:
"Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente. Mateus 26:74,75".
Pedro foi assim, alguém espontâneo, é certo que Pedro sentiu seu amor natural ruir completamente quando Jesus o interpelou, mas não obstante ter sido tão completamente fracassado em seu amor, ele foi acolhido pelo Salvador, porque a verdade é que
"Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. I João 4:9-10.".
Se seguirmos padrões rígidos, se formos regidos por uma cultura refinada, deixaremos de lado o ser espontâneos, Deus precisa de homens espontâneos, e embora pareça forçoso, mas é melhor uma pessoa inculta porém espontânea do que um homem rígido em seu saber, intacto, autoconsciente e autoconfiante dos seus próprios padrões, impenetrável. Deus procura homens espontâneos para revelar seu Filho, e onde o Filho é revelado? Deus revela seu Filho ao nosso espírito, nosso espírito é místico, e é o lugar adequado para receber a Cristo. "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:23,24". Apesar de nosso saber nos cortar a espontaneidade, gostaria que soubesse, não estou fazendo apologia à ignorância, precisamos apenas utilizar o órgão certo para perceber a luz do primeiro dia, este órgão é o espírito. Nosso espírito é para Deus o que a luva é para a mão. "O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do coração. Provérbios 20:27". Nosso espírito existe para uma coisa somente, conter Deus a fim de O conhece-lo. Somente em nosso espírito poderemos compreender Deus, pois Deus é Espírito. Vamos a um exemplo, José é alguém analfabeto, por causa disto não se aprofundou na cultura do saber, mas independente disto um dia José teve uma experiência que mudou o centro de seu viver, ele recebeu a revelação de Cristo em seu espírito. Marcos, por sua vez, é alguém estudado, alguém que se aprofunda naquilo que gosta, ele leva a vida com um bom padrão moral, tem um fascínio pela pessoa de Jesus Cristo, lê muitos livros, conhece bem sua história, conhece suas palavras, e procura ter uma vida moral de acordo com o padrão da sua interpretação acerca do conhecimento de Jesus Cristo, não obstante isto, Marcos pode nunca ter tido a revelação do Filho em seu espírito, ele esta confinado ao seu próprio saber, por ser tão rígido em seus padrões, agindo assim, ele se encontra inapto, Marcos precisa da luz do primeiro dia. É ter tal revelação em nosso espírito que importa, e todos podem ter, pois:
"... isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." - I Timóteo 2:4

Gênesis é um relato do início da vida, não houve uma preocupação científica ao escrever Gênesis, Gênesis é um livro de revelação da vida, todas as realidades ali são também figuras e podemos dizer que Gênesis é o embrião de tudo o que esta sendo descortinado no universo, tudo ali tem familiar relação com a existência hoje, natural e também espiritual. No relato da criação lemos que Deus criou tudo em 6 dias, no princípio tudo era trevas. No primeiro dia Deus falou e houve luz, MAS como poderia haver luz se o sol e as estrelas feitos para iluminar foram criados somente no quarto dia? Hoje a ciência nos mostra que realmente houve esta luz no universo, chamada de luz cósmica, (http://www2.correioweb.com.br/cw/2002-01-10/mat_27993.htm), surgindo depois os astros, chamados luzeiros na Bíblia, pois bem, no registro de Gênesis está dito que Deus viu a luz e disse que era boa, o universo não mais estava em trevas. Então, a primeira luz que surgiu no universo é uma luz perceptível. Esta luz na verdade era uma luz em relação a vida natural, podemos dizer que na progressão da vida no universo, ao primeiro dia, a luz da vida natural foi o primeiro item a surgir. Esta luz cósmica criada no primeiro dia é uma figura da luz mística de Cristo, que só podemos perceber em nosso espírito. Aquele que trouxe a luz ao universo deseja hoje habitar em nosso espírito. Na experiência de José aconteceu o mesmo, o seu espírito era como o universo antes, sem luz, caótico. Muitas centenas de anos depois, Paulo, o autor de um outro livro da Bíblia, relaciona o brilhar da luz em Gênesis com a iluminação de Cristo. "Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." - II Coríntios 4:6. Da mesma forma que um dia Deus falou e a luz se fez, também um dia Deus falou a José, e José recebeu o Filho, Jesus Cristo. "Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo." - João 1:9. José passou a perceber esta luz, e a exemplo de Deus ter dito que a luz era boa, também José passou a perceber o quanto esta luz que é Cristo é boa em seu espírito humano, embora não a vendo, no entanto percebia isto, e desfrutava disto, sabia que, independente de sua cultura e saber, sua vida havia mudado de forma consistente o seu interior porque Cristo, a luz da vida, entrou em seu espírito. José que não tinha consciência de si mesmo passou a ter consciência da luz de Cristo em seu espírito humano.
A revelação de Cristo é o que precisamos em nosso espírito, toda cultura e saber jamais lhe proporcionarão esta experiência. Deus deseja para nós a experiência do primeiro dia, onde Cristo é a luz, e o órgão adequado para receber esta luz é o nosso espírito, se O recebermos em nosso espírito, todo nosso ser passará a ser alimentado e direcionado pela vida que há nesta luz. Se O recebermos, o centro do nosso ser experimentará uma grandíssima satisfação, nosso ser encontrará uma alegria e esperança indizível. Deus deseja nos dar uma nova consciência que advém de recebermos a revelação de Cristo em nosso espírito, assim somos libertados da nossa autoconsciência para a consciência de Deus, tal consciência nos liberta do ego, do confinamento da mente, para a glória de Deus, assim somos transportados de uma esfera de prisão para uma esfera mística onde Deus passa a ser adorado da forma que Ele sempre procurou que o adorássemos, em nosso espírito. "porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." - João 4:23b,24. Quantos hoje não tiveram a experiência de José? São como um universo sem luz precisando do primeiro dia, pois sem a luz de Cristo nosso espírito ainda está em trevas, ainda estamos confinados em nosso próprio saber, sem perceber que Cristo pode ser a luz para nosso espírito, Jesus Cristo é o único que pode trazer verdadeira luz libertadora em nosso espírito, e Ele o faz revelando-se ao nosso espírito, unindo-se ao nosso espírito.
"Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele." - I Coríntios 6:17
"Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne" - I Coríntios 1:26a
"Mas, ...aprouve a Deus, ...revelar seu Filho em mim, ...não consultei carne e sangue."
- Gálatas 1:15,15 seleção livre do autor.
"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." - João 8:36.
Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve. Mateus 11:27-30.
Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida. João 8:12.

Há vinte e dois anos atrás eu havia sido evangelizado por meus colegas de escola, estávamos em uma praça da praia da cidade de São Vicente em São Paulo, e ali abraçados, oramos. Após isso eu sai pela orla da praia pedindo ao Senhor que me buscasse. Alguns dias depois, eu estava dentro de um ônibus, meu viver até aquele momento era cheio de saber, porém minhas convicções não haviam me dado a sustentação e a paz que eu precisava em meu espírito humano. Deus preparou tudo, e ali sentado eu pude oferecer o clamor da minha vida, e o Senhor, o Espírito, veio para dentro do meu espírito, senti imensa paz e alegria. Finalmente soube que algo maravilhosamente extraordinário e místico havia acontecido comigo, e da parte do próprio Senhor.
A sua experiência sobre Deus se baseia somente em seu saber sobre Ele? Ou em um sentimento natural? Deus é Espírito, e você possui um espírito, o próprio falar do Senhor Jesus é místico. "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida." - João 6:63. Deus está procurando uma relação com o seu espírito. Deus está procurando a tais que assim o adorem, em espírito. Jesus o convida para um novo nascimento, "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo." - João 3:6-7. se O receber, seu espírito nascerá do Espírito "Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. II Coríntios 3:17", e se tornará como novo, um novo dia dará início em sua nova vida.
Se não formos espontâneos e simples como uma criança, se não descermos ao nível delas, o Senhor não terá ambiente para nos revelar algo. É preciso tempo diante de Deus, em súplica diante dEle, para que alcancemos tal coração, até que sejamos despidos de toda soberba, de tudo o que não procede de um coração simples diante dEle.
"Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado." - Mateus 11:25
Marcos é um livro que nos exibe Cristo na forma de um Salvador-Escravo, manifestando o serviço que, como Salvador, rendeu aos pecadores da parte de Deus. No Evangelho de Marcos se vê o cumprimento das profecias acerca de Cristo como Escravo de Jehová feitas em Is.42:1-4, 6-7; 49:5-7; 50:4-7; 52:13-53:12, podemos ver também o ensinamento acerca de Cristo como Escravo de Deus em Fil. 2:5-11. O cego mencionado no livro de Marcos representa o homem sem Cristo, sem visão interior. O Senhor, na qualidade de Salvador-Escravo expressou seu cuidado íntimo e terno para com o necessitado. O fato de o Senhor tomar a mão daquele cego e conduzi-lo para fora da aldeia, da multidão, nos mostra seu cuidado amoroso. Espiritualmente, indica que o cego passaria um tempo privado e em intimidade com Ele, para que Ele pudesse infundir-lhe o elemento da sua luz divina com o qual lhe recobraria a visão. Todos os que são cegos espiritualmente precisam passar um tempo assim com o Salvador-Escravo. (N.T v.Recobro – trecho das notas de rodapé pág. 170). A cegueira está relacionada com a obscuridade, necessitando assim, de luz. "Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Mc 8:23". A saliva do Salvador representa a infusão de seu elemento, sua Palavra viva e orgânica, capaz de nos curar. "E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens; porque como árvores os vejo andando. Mc 8:24". Note que, no primeiro momento o cego percebeu a luz, porém não de forma definida, confundindo homens como árvores, necessitando de uma segunda intervenção do Senhor, somente após isto, pode ver de forma bem definida e claramente. Conosco acontece o mesmo, Quando me converti, recebi a luz do primeiro dia, esta luz é comparada ao primeiro estágio da cura do cego, eu percebi a luz, tive uma grande alegria interior, porém não percebia a forma definida. Lembro-me que naqueles dias tentei ler a Bíblia, tudo para mim, apesar de já convertido, estava sem forma definida, não conseguia entender a Palavra, tudo parecia um código complexo demais para mim, então passei a gastar tempo diante do Senhor, invocando-O com desespero, me debruçando muitas vezes em minha nova prancheta de desenho, que era onde eu lia minha Bíblia, e ali eu me pús a ser sondado pelo Senhor, abrindo meu coração a Ele. E foi assim, percebi que era vital ser completamente sondado pelo Senhor, tudo em minha vida dependia disto, eu precisava ser infundido do seu próprio elemento divino, e, para minha surpresa, ao recomeçar a leitura, tudo começou a fazer sentido para mim, e mais do que isto, aquelas palavras pareciam me atravessar, elas me queimavam por dentro, era um fogo íntimo e prazeroso, que me aquecia o ser enquanto me enchia de alegria e desfrute, foi assim que comecei a ver a forma definida na luz.
"Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo." - João 1:9.

Nenhum comentário:

Postar um comentário