"Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial." - Mateus 5:46-48A primeira parte do texto acima nos revela um aspecto negativo, e que é muito sutil acontecer no meio cristão, e uma das razões que o promovem, infelizmente, assim como havia o grupo dos publicanos, são os grupos denominacionais, pois assim como os publicanos, assim também podemos nos tornar reclusos em nossas comunidades, amando somente aos que pertencem a ela, criando uma barreira mentirosa em nosso coração, mas Deus nos tem chamado a sermos perfeitos, como Ele é perfeito. E o que é este aspecto negativo? É o fato de não compreendermos a realidade de sermos "irmãos em Cristo", isto é, não são os costumes ou tradições religiosas que nos tornam irmãos, mas Cristo, Ele já nos tornou irmãos em seu sangue, estamos finalmente unidos em um mesmo sangue, o sangue da verdadeira comunhão, que é realizada no Espírito, e que fala mais alto, o sangue de Jesus, de tal maneira que, quando encontro um irmão, é como encontrar um lugar de descanso, isto acontece porque o nosso descanso é o mesmo, o nosso descanso é o Senhor, o seu sangue nos trouxe este descanso, ele é o termino de toda ofensa e intriga, por tal sangue ambos temos acesso e descanso nEle, achamos sua paz afinal, somos filhos da paz. Se formos muito fechados dentro do nosso gueto de amor jamais experimentaremos tal descanso, pois sempre estaremos em cima do muro, se devemos ou não receber outros nossos irmãos, nos julgaremos melhores do que eles como a síndrome da igreja de Laodicéia, julgaremos nossa comunidade melhor que as outras, e sempre o julgaremos o outro irmão meio mestiço, meio herege... Isto não procede de um coração perfeito, como o do nosso Pai celestial! Se houver alguma intriga, facilmente seremos norteados a pensar que não nos pesa a responsabilidade de procurar a paz com este outro irmão, que não é outro, e sim nosso irmão, e pensaremos: ah, ele nem é da "minha igreja", não tenho de prestar contas com ele, não tenho responsabilidade sobre a vida dele, amarei somente aos da minha comunidade, pergunta: não fazem os publicanos também o mesmo? Sede vós, perfeitos! Irmãos, servimos ao Deus vivo, Ele é vivo em nós, nós somos irmãos em Cristo, devemos sim prestar contas com todos os nossos irmãos, pois nossa relação é com o Senhor de todos os que são santificados em Cristo, chamados para ser santos, todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. I Coríntios 1:2b. Ele tem os seus olhos voltados para todos os que são dEle, e todos nós, os que um dia cremos, somos irmãos de fato, devemos nos assumir, nos amar, nos respeitar e perceber, é a unção do Santo que está em nós, ela permanece em nós, e é verdadeira. Deus tem um tremendo cuidado com a igreja sua noiva, de tal maneira que Paulo diz: "Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós. I Coríntios 3:16,17". Não podemos descuidar dos irmãos, eles fazem parte deste que é o santuário de Deus. Quantos irmãos hoje estão passando por deserto espiritual porque simplesmente amaram somente aos que o amaram. Este é um amor confinado, não o amor de Cristo. Cristo não agradou a si mesmo, antes nos amou quando éramos ainda pecadores, e nos tornou povo e casa de Deus. Não somos irmãos porque nos agradamos a nós mesmos, não devemos amar na aparência, amor de preferências, amor de bajulação, devemos nos amar em verdade, na verdade em Cristo. É impressionante o amor de Cristo, mesmo em meio a tamanha multidão, Ele sempre detectava aqueles que sequer conseguiam acompanhar a multidão, como no caso de Zaqueu e muitos outros, isto porque? Jesus não procurava ser bajulado, Ele amava verdadeiramente, era um amor abnegado. A igreja de Tessalônica, embora uma igreja jovem quando Paulo escreveu, serviu de modelo para as outras igrejas, e uma de suas características era o amor abnegado que existia em seu meio, precisamos deste amor abnegado, este é o amor de Cristo, amor paciente, verdadeiro, que não agrada a si mesmo, que não se deixa ferir por questões menos importantes do que a vida de Deus no coração dos irmãos, amor acolhedor, que sara, que nutre, que sempre procura edificar em amor, que procura falar a verdade em amor, e mesmo aos resistentes, presos pelo laço do Diabo, ainda fala a estes com mansidão, na expectativa de que Deus lhes conceda não somente o arrependimento mas o retorno a sensatez. A igreja nunca é um lugar para ira, gritos, contendas e divisões, Paulo nos ensina a sermos compassivos, perdoando-nos uns aos outros assim como Deus nos perdoou em Cristo, e procurarmos diligentemente guardar a unidade do Espírito no vinculo da paz, pois há um só corpo, e um só Espírito, e todos nós fomos chamados em uma só esperança da nossa vocação em Cristo. Estamos todos em um mesmo corpo, e este corpo é o jardim de Deus, onde Deus vem passear na brisa da tarde para falar conosco (Gênesis 3:8). O Senhor nos tem chamado a todos para o desfrute do seu Espírito, isto é uma grande festa espiritual entre todos os irmãos em Cristo. Temos compromisso sim, diante de todos os nossos irmãos, não nos cabe excluir nossos irmãos, pois o mesmo Senhor não tem manifestado tamanha longanimidade para conosco? Já pensou se o Senhor nos excluísse por causa de nossas ofensas? Pois assim como o Senhor tem demonstrado sua misericórdia conosco e nos dado sua graça, assim também devemos agir em relação a nossos irmãos. Não paralisemos diante das ofensas, desconsiderando nossos irmãos, antes agrademos a Cristo, orando por estes, perdoando-os em Cristo, e o Deus de paz que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, o grande pastor das ovelhas, nos aperfeiçoará em toda boa obra, para fazermos a sua vontade, operando em nós o que perante ele é agradável, por meio de Jesus Cristo, ao qual seja glória para todo o sempre.
Amém.
Sejamos perfeitos, como o nosso Pai celestial, amemos a todos os nossos irmãos em Cristo.
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